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Publicado em 20/09/2016

NOTA DE REPÚDIO

O Conselho de Direitos da População de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais Do Estado do Rio de Janeiro, REPUDIA VEEMENTEMENTE a tentativa de homicídio cometida por três homens  contra uma mulher transexual de 21 anos e a lesão corporal contra  sua irmã no dia 13 de setembro de 2016 no bairro de Santa Cruz, na cidade do Rio de Janeiro, agressão esta motivada por transfobia.

Em imagens veiculadas nas redes sociais e meios de comunicação, uma mulher transexual e sua irmã são covardemente agredidas em plena luz do dia, enquanto pessoas circulavam e observavam o fato. Para além da revolta que nos causa ver duas pessoas sendo violentamente agredidas, tendo sua dignidade totalmente dilacerada,  nos causa profunda indignação perceber que a violência ocorreu em um espaço público e ainda assim, não houve qualquer ação das pessoas, que passivamente assistiam o espancamento, no sentido de interromper o crime em curso. Nos causa dor perceber que o senso de humanidade das pessoas está esmaecido. A sociedade precisa se sentir implicada na luta pelos direitos de todas as pessoas.

O Brasil atualmente ocupa a triste liderança no ranking mundial de Crimes LGBTfóbicos. Os crimes cometidos contra nossa população são sempre com requintes de crueldade de modo a extirpar-lhes não só a vida, como também a dignidade, a humanidade. O panorama de barbárie posto neste país  tem forte relação com a onda fundamentalista que se abate sobre a sociedade brasileira nos últimos anos e com o imaginário de impunidade que os agressores constroem.  A agressão contra a mulher transexual e sua irmã são reflexos disso. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia, no Brasil um LGBT é agredido à cada 24h. Dos quase 50 mil atendimentos realizados pelo Disque Cidadania LGBT e quatro Centros de Atendimento à população LGBT no Estado do Rio de Janeiro, 40% envolvem discriminação e violência em razão da orientação sexual e identidade de gênero. A situação de LGBTs em nosso país é terrível e já vem sendo denunciada por órgãos de Direitos Humanos e organizações da sociedade civil há muito tempo e isso tem pressionado autoridades a se mobilizarem para garantir os direitos humanos de nossa população.

Desde os primeiros momentos em que o Programa Estadual Rio Sem Homofobia da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, recebeu a denúncia deste crime brutal, as redes de proteção e busca ativa foram acionadas no sentido de amparar a vítima em todos os sentidos.  Parabenizamos o trabalho da Policia Civil do Rio de Janeiro pela agilidade e comprometimento com que atuaram no caso, de modo que todos os agressores já estão presos e à disposição da justiça.  

A partir de agora o CELGBT RJ fará o monitoramento deste caso junto aos sistemas de segurança e justiça para garantir que o caso tramite e seja julgado com todo o rigor da lei e que sirva de exemplo a outros agressores de que neste país existem leis e que ninguém está acima delas.

Por fim, prestamos toda nossa solidariedade e carinho às vitimas que corajosamente estão lutando por justiça mesmo estando física, emocional e psicologicamente muito abaladas. A vocês, todo nosso carinho e atenção. Este Conselho seguirá na luta com vocês.

 

Julio Moreira                                                   Claudio Nascimento

Presidente do CELGBTRJ                     Coordenador Executivo do CELGBTRJ