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Publicado em 10/12/2014

"Encontro LGBT em Comunidades" reúne lideranças comunitárias e governo para debater a cidadania da população LGBT

Encontro foi realizado pelo Programa Rio Sem Homofobia e Rede de Comunidades Saudáveis

O Programa Estadual Rio Sem Homofobia, através da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SUPERDIR/SEASDH), e a Rede de Comunidades Saudáveis promoveram nesta quarta-feira (10) o "Encontro LGBT em Comunidades".  O evento ocorreu no Auditório Adauto Belarmino, no Prédio da Central do Brasil, e reuniu diversas lideranças de comunidades do Rio de Janeiro, representantes da sociedade civil organizada e do governo. 

Durante o encontro foram debatidos os temas relacionados à cidadania da população LGBT. Após a exposição realizada pelo coordenador do programa Rio Sem Homofobia e superintende de Direitos Individuais Coletivos e Difusos, Cláudio Nascimento, sobre os conceitos de sexualidade, homofobia, gênero e cidadania, as lideranças LGBTs das comunidades participaram de um painel onde foram expostas as particularidades de cada território.

Participaram da mesa: Mauro Lima dos Santos, do Conexão G, do Complexo da Maré; Felipe Vieira e Carla da Silva, do Complexo do Borel; Carmen Lúcia, da Comunidade de Mato Alto; Luiz Guinha e Lucia Cabral, do Complexo do Alemão; Laura Mendes, do Afroreggae/Além do Arco-íris; Mayke Alves da Silva, do Complexo da Penha; Flavio Ruivo, da Cidade de Deus; Cleiton Ribeiro Nunes, da Cidade Alta de Cordovil e  Pablo do Bonde das Bonecas, de Brás de Pina/ Cinco Bocas.

Uma das questões apontadas foi a invisibilidade da população LGBT nas comunidades. Mauro Lima, do Complexo da Maré, falou sobre esse problema: "Nós, por sermos homossexuais, não somos reconhecidos. Na Maré existia uma norma de convivência e um dos pontos era não falar sobre isso. Nosso grupo tomou isso para si e começamos  a discutir junto com a comunidade".

Claudio Nascimento destacou a importância do empoderamento dos cidadãos para o fortalecimento e a construção de políticas públicas: "A agenda LGBT perpassa a outras demandas, mas também tem seus aspectos específicos como o acesso a escola, bolsa família, entre outros. Esse encontro é um inicio para aprofundarmos estas questões, tem vários aspectos colocados aqui que precisaremos construir juntos um plano de trabalho".

O Superintendente de Prevenção da Secretaria de Estado de Segurança, Pehkx Jones Gomes, lembrou da parceria com o Programa Rio Sem Homofobia para a realização das Jornadas Formativas de Segurança Pública e Cidadania LGBT e destacou que já foram capacitados 7 mil policiais: "O desafio é dar continuidade ao trabalho. Esse tem quer ser um tema natural para o policial. É uma mudança de paradigma para a sociedade".

A formação dos policiais também foi ressaltada pelo delegado Fernando Veloso, chefe de Polícia Civil do Rio: "todos os novos policiais ouvem o que a Superintendência e o Rio Sem Homofobia tem a dizer. Para avançar mais, precisamos interagir mais, ter mais momentos como esse também. Queremos nos aproximar da sociedade. A missão da polícia não é prender, é assegurar direitos".

A desembargadora Denise Levy Tredler, presidente do Conselho Estadual de Defesa de Direitos Humanos da SEASDH falou sobre a importância da educação e formação. "Dois problemas se somam nessa área de discriminação e violação de direito humanos e a comunidade LGBT que vive em comunidade sofre duplamente, porque tem a discriminação de gênero, e pela pobreza social e econômica. Precisamos trabalhar isto e a melhor forma é a educação e a formação. É fundamental que haja uma interlocução entre todas as comunidades e os conselhos, pois assim conseguimos reunir a população e poder público".

Desafios e propostas foram debatidos e apontados em quatro grupos de discussão. Ao final do evento os representantes apresentaram as sistematizações de cada grupo aos participantes e convidados da terceira mesa, que também foi composta por representantes do governo. Um dos encaminhamentos feitos no encontro é a realização de um grupo de trabalho com as lideranças comunitárias para dar sequência as demandas apontadas. Também está previsto a realização de um segundo encontro no próximo ano.

Também participaram do evento Denise Pires, gerente da Gerência de DST/AIDS Sangue da Secretaria de Estado de Saúde; Julio Moreira, presidente do Conselho dos Direitos LGBT; Monalyza Alves, coordenadora de acesso à justiça da Casa de Direitos/Cidades de Deus;   Wanda Lúcia Guimarães, coordenadora do Centro de Promoção da Saúde (CEDAPS); Sheila Corrêa, coordenadora do Centro de Cidadania LGBT da Capital e Lucas Paoli, da ong Micro Rainbow International.

A atividade também celebrou o Dia Internacional dos Direitos Humanos, instituído em 10 de dezembro pela Organização das Nações Unidas (ONU) dois anos após a Declaração Universal do Direitos Humanos, sendo um marco da luta universal contra a opressão e a discriminação, defendendo a igualdade e dignidade das pessoas.