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Publicado em 02/06/2014

FUTUROS POLICIAIS PRONTOS PARA LIDAR COM DIFERENÇAS

Nesta sexta-feira (31), 430 alunos da Polícia Civil receberam certificados do curso de direitos humanos voltado a questões LGBT e de tolerância religiosa, ministrado pela SEASDH

 

Em 2007, as entidades de defesa de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis recebiam, em média, três denúncias mensais de abuso de autoridade cometidos por policiais contra o público LGBT. No ano passado, o índice baixou consideravelmente. Foram três queixas em 12 meses. Os números revelam uma mudança radical de panorama e de cultura registrada em delegacias do Rio.

Mostram também o resultado do árduo trabalho desenvolvido em parceria pelas Secretarias de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), através do Programa Estadual Rio Sem Homofobia, e de Segurança Pública (Seseg), que, nesta sexta-feira (31), deu mais um importante passo. Mais 430 futuros policiais civis do estado receberam os certificados da formação em promoção da cidadania LGBT e liberdade religiosa e direitos humanos. E melhor. Estão prontos para lidar com diversos segmentos da sociedade sem fazer distinção de gênero, credo ou orientação sexual.

Os alunos do curso de formação da Polícia Civil participaram da solenidade de entrega de certificados, na o auditório da cidade da Polícia, em Benfica. O evento contou com as participações da diretora da Academia de Polícia Civil, delegada Jéssica Oliveira, do superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, Cláudio Nascimento, do subsecretário de Defesa e Promoção de Direitos Humanos, Raimundo Neto, e do titular da SEASDH, João Carlos Mariano. Os documentos foram entregues aos representantes das turmas, conhecidos com xerifes e subxerifes.

Ao longo da formação, os futuros policiais tiveram 20 horas de aula especificamente sobre direitos humanos e abordagem referente ao tratamento a questões de diferenças de gênero, religião e opções sexuais. Catorze profissionais da SEASDH atuaram na academia, ministrando aulas e palestras.

E desde o surgimento da parceria entre a SEASDH e a Seseg, as autoridades estão detectando sensível mudança na relação entre os agentes da lei e o público LGBT que procura os distritos policiais. “O importante é perceber que o policial já tem a consciência de que precisa orientar a pessoa quando ela chega a uma delegacia. Se não for um caso específico de polícia, como um LGBT expulso de casa, ele deve informar o melhor caminho a ser tomado e quais serviços podem ajudar quem foi ai distrito”, observa a delegada Jéssica Oliveira.

Além isso, informa a policial, o policial aprende a tratar uma travesti ou transexual pelo nome social e não pelo que consta na carteira de identidade. “A maioria já distingue bem o que é um crime relacionado à discriminação e à homofobia e sabe encaminhar a pessoa para a rede de atendimento. Também estamos conseguindo mais facilmente fazer estatísticas e orientar as políticas públicas”, acrescentou Jéssica, que ressaltou: “São importantes barreiras quebradas pelas partes envolvidas.”

Antes de entregar certificados a representantes de duas turmas, Cláudio nascimento ressaltou a importância da parceria entre as secretarias . “É um marco nos direitos humanos no Rio de Janeiro e no País. Recebemos prêmios e somos referência nesse trabalho de integração”, declarou, lembrando que ainda é preciso superar muitas barreiras. “Estamos enfrentando desafios. Tivemos coragem de encarar mitos e tabus e tivemos resultado satisfatório.”

O titular da SEASDH, João Carlos Mariano, foi o primeiro a entregar certificados ao xerifes e subxerifes. Ele salientou a importância da qualificação para os policiais que atuam cada vez mais em uma sociedade plural.
“O governo valoriza os policiais e sabem da extrema importância de vocês. Vocês são fundamentais, são policiais que sabem que é preciso respeitar e entender as diferenças”, afirmou.

Texto: SEASDH


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