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Publicado em 06/09/2013

Após participar de seminário internacional, Rio Sem Homofobia planeja ações de enfrentamento à homofobia no futebol

Coordenador Cláudio Nascimento esteve em Manchester, na Inglaterra, debatendo sobre o tema

Na última quinzena de agosto, o superintendente de Direitos Individuais Coletivos e Difusos, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, e coordenador do Programa Estadual Rio Sem Homofobia, Cláudio Nascimento, participou, em Manchester, Inglaterra, da “1ª Conferência Internacional Futebol X Homofobia”. O encontro foi promovido pela rede inglesa Fare, que reúne organizações de direitos humanos de toda a Europa, para combater a discriminação no futebol. A abertura da conferência contou com a presença do prefeito de Manchester, que recebeu os participantes e evidenciou seu apoio ao evento estendendo uma bandeira do arco-íris na sede da prefeitura, durante os dias em que ocorreu o encontro.

Representando o Governo do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio foi ao seminário para apresentar as políticas públicas pioneiras desenvolvidas pelo Rio Sem Homofobia e para absorver experiências de enfrentamento a homofobia no esporte, as quais possam ser aplicadas no Brasil, pais que será sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. O convite para ir a Manchester compor o debate sobre a homofobia no futebol surgiu após Cláudio participar do seminário "Mega eventos esportivos, inclusão e direitos humanos", realizado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, em junho deste ano. Na ocasião, foram discutidos quais legados os eventos que acontecerão no Rio de Janeiro, nos próximos anos, deixarão para a área dos direitos humanos. Foi também nesse contexto que se baseou a participação do superintende no encontro na Inglaterra.

Cláudio Nascimento apresentou o Programa Estadual Rio Sem Homofobia em duas oportunidades. Na primeira, falou das ações e serviços do programa, como ele surgiu e o que já conquistou. Depois, falou dos desafios de introduzir esse debate no Brasil e o que pode ser feito a respeito da temática no nosso país. Além de Cláudio, participaram do debate o diretor de responsabilidade social da UEFA, uma representante lésbica do Comitê Organizador da Copa do Mundo da FIFA, o presidente da Associação Inglesa de Torcidas LGBT e representantes de torcidas organizadas LGBTs de clubes europeus. A discussão tratou do panorama atual da homofobia no futebol em todo mundo. Os participantes expuseram suas experiências, conquistas e desafios para os próximos anos. A FIFA e a UEFA foram muito cobradas a adotarem uma posição mais concreta e contundente a respeito do tema e em relação às acusações de violação de direitos humanos na Rússia, país que será sede da Copa do Mundo de 2018.

Para Nascimento, o encontro deu uma dimensão da situação dessa discussão na Europa e como está no Brasil. “Os próprios europeus ainda consideram que a discussão está no início, embora em diversos países, como França, Alemanha e Inglaterra, já existam grupos de torcedores LGBTs organizados”, destacou o superintendente. Ele conta ainda que já ocorrem punições para casos de homofobia em alguns países do continente: “em situações isoladas, as associações já punem jogadores e torcedores por conta de xingamentos homofóbicos. Na Inglaterra, há três anos já existe uma legislação sobre o tema. Além disso, seguranças e profissionais que trabalham em estádios passam por uma capacitação para coibir casos de homofobia. Mas mesmo com essas iniciativas e com a promoção de campanhas em prol do respeito à diversidade, eles ainda consideram que essa população é invisível nos estádios”, concluiu Cláudio.

Porém, a realidade no Brasil ainda é muito distinta. “No nosso país, essa é uma questão nova. Ainda estamos começando esse debate por aqui e não conhecemos as regras sobre o assunto”, disse Nascimento. Ele conseguiu visualizar oportunidades para tratar dessa difícil temática no Rio de Janeiro, como o fato do estado já possuir uma estrutura própria para a promoção de políticas públicas em prol da população LGBT: “na Europa, as iniciativas de combate à homofobia no futebol não partem do poder público. São organizadas pelo movimento social, em parceria com empresas privadas”, comentou. “É importante que haja esse envolvimento dos governos nessas ações. A Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (SEEL) possui metas a serem cumpridas e pode fazer essa mediação com os clubes. Esse é pode ser o ponto de partida para o planejamento de políticas públicas para a promoção do esporte com cidadania e diversidade sexual. Por exemplo, podemos, através da secretaria, negociar a veiculação dos nossos vídeos e spots nos estádios”, concluiu Cláudio.

Para o superintendente, as torcidas precisam ter participação nesse debate, assim como já acontece na Europa. Gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais devem mostrar que também são torcedores e torcedoras e exigir seu espaço nos estádios. “Na década de 70, existiam torcidas LGBTs organizadas de clubes brasileiros, que perderam a força e foram extintas por conta da discriminação”, se recorda Nascimento. Atualmente, esses grupos se reúnem nas redes sociais. É possível encontrar vertentes LGBTs de torcidas organizadas de clubes de todo o país em fanpages no Facebook e com perfis no twitter. Apesar da relevância desses movimentos, os quais, de alguma forma, levam essa temática para o esporte, Cláudio ressalta que é necessário que eles migrem para o “mundo real”: “o desafio é pensar o que fazer além das redes sociais, para dar visibilidade efetiva à nossa comunidade dentro dos estádios e dos clubes. O apoio da torcida é fundamental para que os jogadores sintam-se mais a vontade para falar no assunto.”.

O superintendente voltou para o Brasil cheio de ideias, possibilidades e expertise e já planeja ações para unir os mais diversos segmentos em torno dessa discussão. Em outubro, o Programa Estadual Rio Sem Homofobia realizará, na semana da Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro, um workshop sobre a questão LGBT e o futebol. O objetivo é trazer esse debate para a realidade do estado do Rio de Janeiro e começar a planejar ações para o enfrentamento da homofobia nos estádios. Deverão ser convidados a SEEL, as secretarias municipais de esporte, os clubes, movimentos sociais, associações de torcedores e atletas. Em novembro, Cláudio receberá, na Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, um grupo de torcedores gays de Munique, cidade alemã. Durante o evento em Manchester, o superintende foi convidado para ir à cidade de Colônia, também na Alemanha, para apresentar o Rio Sem Homofobia aos organizadores do Gay Games, evento esportivo nos moldes das Olímpiadas, destinado a atletas gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. “Queremos ainda realizar um seminário sobre o tema durante a Copa do Mundo de 2014. Precisamos deixar um legado para o nosso estado”, ressaltou Nascimento.

De tudo o que aprendeu durante sua estada em Manchester, Cláudio destaca a necessidade do poder público assumir essa responsabilidade, em parceria com a sociedade civil, para promover uma agenda de esporte com igualdade e cidadania para tod@s. “Começaremos com o futebol e depois avançaremos para os outros esportes. A experiência do Rio Sem Homofobia, com nossas campanhas, pode ser adaptada para a área esportiva. Essa pode ser mais uma frente de atuação, mais uma oportunidade para levar esse tema para a sociedade”, concluiu o superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos.

 

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