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Publicado em 28/06/2013

Cura Gay: a escuridão que ronda o arco-íris

Cláudio Nascimento

Hoje é o Dia Mundial do Orgulho LGBT.  O “orgulho gay” é uma data simbólica para as lutas e conquistas de lésbicas. Gays, bissexuais, travestis e transexuais.  A celebração é em virtude da Revolta de Stonewall, em Nova Iorque quando, cansados das rotineiras batidas policiais homofóbicas, LGBT reagiram durante três noites com seu desfecho no dia 28 de junho de 1969. A revolta começou no bar Stonewall Inn e alastrou-se para todo o bairro Greenwich Village.  As palavras igualdade, dignidade, atitude e orgulho foram as mais entoadas naquele momento, marco do novo movimento em defesa do direito de existir e expressar o afeto e a sexualidade. Em 1970, os nova-iorquinos tiveram a sua primeira parada gay para celebrar a data, seguida por várias cidades americanas e do mundo que realizam paradas e eventos até hoje. No Brasil, mais de 200 cidades também a celebram, cobrando direitos de LGBT, denunciando a homofobia e a tentativa de setores políticos e religiosos fundamentalistas de impedir o avanço da cidadania para esse público.

Ainda que em 1970 tenha sido despatologizada pelas associações internacionais de psicologia e psiquiatria, e em 1985 ter sido retirada do código brasileiro de doenças e também em 1993, pela Organização Mundial de Saúde, a homossexualidade vem sendo perseguida por esses setores que insistem em tratá-la como doença. Recentemente teorias de reversão da orientação sexual foram descartadas pelos seus próprios autores. Nessa semana, a Exôdus, a conservadora organização religiosa internacional, que atuou por décadas com tais teorias, pediu perdão aos homossexuais que passaram por seus tratamentos, e reconheceu a sua ação como discriminatória e danosa a nós.

Hoje liderados pelo pastor Marcos Feliciano, insistem na aprovação do projeto de lei de “Cura Gay”, que se for concretizada, revogará artigos de resolução do Conselho Federal de Psicologia, que proíbem a participação de psicólogos em programas que atuem na tentativa de tratamento dos LGBT. Na prática querem que os homossexuais sejam “curados” de sua sexualidade quando esta não é doença.  Se alguém precisa de tratamento são esses senhores paladinos da moral.

*Este artigo foi publicado na edição de hoje do jornal O Dia.